Pérolas da Sessão Da Tarde/Cinema Em Casa/CineTrash – Vol. 01
Tanto tempo sem escrever aqui e sobre assuntos divertidos em lugar nenhum que nem me lembro mais como se faz isso. Agora, escrever documentação SAP é comigo mesmo!! Mas vamo que vamo!!
Estava meditando sobre o crescimento da minha filha, nas mais diversas áreas, incluindo aí a do Entretenimento. Bateu uma tristeza quando lembrei que alguns dos responsáveis pela formação do meu gosto cultural não existem mais ou tornaram-se os porta-bandeiras do lixo cinematográfico, dos cães que jogam basquete e das sereias que aprontam mil e uma aventuras de merda. A “Sessão da Tarde”, única sobrevivente daquele tempo, moldou-se ao mundo Luansantanrestartfunkmodinhabipolarcomcalçascoloridístico em que vivemos hoje.
Não vemos mais aqueles filmes que inspiravam a coletividade na molecada, que embalavam as brincadeiras na rua, com ideias das mais cretinas para serem realizadas com os amigos da vizinhança. Este termo, “amigos da vizinhança”, aliás, está cada vez mais extinto do vocabulário da garotada, a não ser que esteja se referindo à vizinhança das Fazendinhas Felizes que tem por aí na internet.
Uma mudança lamentável que este mundo moderninho trouxe, a exclusão de nossos queridos filmes “anos 80″ da telinha ocorreu pela impossibilidade de passarem no “horário infantil” filmes com alguma violência, sexualidade e piadas sarcásticas. Ora que escândalo não seria nos dias de hoje um filme que mostra o namoro entre uma mulher adulta e uma menino que ficou grande por conta de uma máquina de desejos num parque de diversões? Ou um kickboxer quebrando pescoços e matando pessoas com uma coxa de frango congelada?? Ou um garoto que volta no tempo e ganha um beijo na boca da própria mãe adolescente??? UAU, quanta depravação esse mundo dos anos 80 e início dos 90 tinha, não? 2011 é que é pura pureza, diz aí?!
Agora minha preocupação dobra, com um moleque vindo por aí. Por isso tem crescido cada dia aqui na estante de casa a sessão “Sessão Da Tarde/Cinema Em Casa/CineTrash”, simplesmente porque esta época não pode ser esquecida! Filmes tão ruins que ficavam bons, filmes de terror que faziam-nos cascar o bico, porrada, fantasia, aventuras malucas, isso com certeza será bom enquanto existir cinema!
Por todos estes motivos , usarei este espaço para escrever de vez em nunca sobre as pérolas que estão ficando cada vez mais entocadas no fundo da memória de quem cresceu neste período espetacular da história. Pra quem não conheceu isso, leia e aprenda.
Lambada! A Dança Proibida (The Forbidden Dance is Lambada, 1990 – Greydon Clark)
GRAÇAS AO MARAVILHOSO ECAD, TIREI O EMBEDDED, SEGUE LINK DO TRAILER >> http://www.youtube.com/watch?v=kKOhKpHuXpU
Este clássico, histórico, entra naquele grupo dos filmes tão ruins, mas tão ruins, que dão a volta toda e ficam excelentes. Não sei vocês, mas a primeira vez que ouvi todo o repertório lambadístico que conheço, foi neste filme. Depois disso, não se dançava outra coisa, as crianças na rua cantavam e bailavam, era uma febre, pelo menos lá no Pará era… Quem não lembra da história da princesa índia Nisa (Laura Harring, de “Cidade dos Sonhos”), que foge pros Estados Unidos tentando salvar a floresta amazônica do desmatamento usando a mais poderosa das armas de combate: a… lambada. O enredo é péssimo, o cunho sociopolítico é tosco, atuações caricatas. Tudo isso forma esta maravilha clássica da minha infância.
Algum ser iluminado gravou e colocou a obra prima de Graydon Clark (quem???) completinha do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=0x8R9kNbIRk&feature=related
DVD, só se for no Amazon, infelizmente.
Esporte Sangrento (Only The Strong, 1993 – Sheldon Lettich)
ECADauma, viu?! http://www.youtube.com/watch?v=W-C03hEmqO8
Dentre todos aqueles filmes que infestaram nossas telas nos anos 80/90 sobre professores peitudos que mudavam a vida dos adolescentes marginais que frequentavam a escola, este é, de longe, o pior. Estrelado pelo príncipe do cinema porqueira, Mark Dacascos (“O Pacto dos Lobos”), é um dos meus filmes favoritos (estrelado por um dos meus atores favoritos, rs). Louis é professor de Capoeira, e ensina os alunos a lutar, a partir da capoeira, tudo o que os mestres de capoeira mais abominam, com aquele fundo de “levar disciplina e esperança ao jovem rebelde que vive à margem da sociedade”. Paranauê remix é um ponto alto na trilha sonora. Era passar esse filme e rolar altas rodinhas de capoeira na escola no dia seguinte, pelo menos lá no Pará, né… Inesquecível e maravilhoso. O cartaz (acima) com o soquinho na ar é arrebatador.
Pra variar, um ser humano de alma elevada colocou tudo no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=5hOxKDbYeQE
O DVD chegou a ser lançado, mas esgotou faz tempo (suuucessoooo). Talvez tenha algo no Mercado Livre.
Comando Cobra (SnakeEater, 1989 – George Erischbamer)
http://www.youtube.com/watch?v=jPsGmu333cM
Se eu escrevi que Mark Dacascos é o príncipe do cinema porqueira, é porque o rei tem o lindo nome de Lorenzo Lamas, aquele da série “Renegado”. Sim, ele é maravilhoso, nem me falem isso, é chover no molhado. Esta produção de quinta categoria passava na Band, naquelas sessões de filmes comprados na feira. Soldado era um gênio das armadilhas, que me deu algumas ideias maravilhosas, nunca executadas, claro
. E, amigos, o que é este trocadilho fabuloso na tradução do título original do filme para o português?
Ninguém colocou no Youtube
e DVD, só no Amazon, usado.
Se você chegou até este ponto da leitura, comente, pelos lêmures em extinção, pelas flores em tons pastéis e pelo Celso Portiolli falando TuTuTi TuTuTu. Obrigado.
ERROS DE DIGITAÇÃO E PORTUGUÊS…
…revisando este blog encontrei vários…
Post-Despedida
Oi Amigos. Quando criei este blog, minha intensão era fazer uma coisa que eu gosto muito, mesmo sem muito talento e assunto: escrever. Faço isso o dia todo. Emails, relatórios e documentações no trabalho. Adicionalmente, tenho a satisfação de ter as portas abertas para escrever no principal site de quadrinhos do país, o Universo HQ, onde escrevi 5 resenhas ano passado (Avatar, Camelot 3000, Gourmet, Mundinho Animal e Who Fighter) e pretendo escrever mais em 2011 (afinal, é o único lugar onde alguém me lê). O problema nisso tudo é que todos demandam muita responsabilidade.
Aos 21 anos, estagiário, sem pai rico, morando em república, fiquei sabendo que ia ser pai (burro pra caráleo, diz aí?!). O moleque porra louca teve que criar responsabilidade pela primeira vez na vida. Tive que trabalhar sempre o dobro todo dia pra merecer crescer profissionalmente e dar o melhor para as minhas duas mulheres. Sempre com muita responsabilidade, em tudo, o tempo todo.
Escrever no UHQ é maravilhoso. Elogios, emails, reclamações, RT de autor… Mas escrever lá demanda mais um ponto para ser responsável e cuidadoso. Criticar uma obra num site de grande visibilidade pode alavancar ou travar as vendas de um gibi. Isso ainda se agrava quando falamos de obras nacionais, já que tratamos do ganha pão não apenas de uma editora, mas de um autor que, pela realidade brasileira, batalha muito pra conseguir seu lugarzinho ao sol. E admito que eu mesmo já comprei/deixei de comprar uma HQ baseado em críticas do site. É complicado. Tem que pesquisar muito, ter muita base e a “maldita” responsabilidade antes de mandar alguma coisa pro Sidney Gusman editar.
Mas quer saber? O moleque sem noção de nada não morreu totalmente. Aliás, tem muita porcaria dele por aqui ainda! Escrever aqui é uma extensão do Twitter, onde escrevo apenas lixo, onde deixo o guri babaca extravasar um pouco pra não explodir e tomar conta do necessário “homem responsável”. Aqui, além do lixo, escrevo sobre assuntos que gosto mas não tenho com quem conversar sobre. E o melhor: sem ter o mínimo de responsabilidade (em que site sério eu poderia chamar a autora de Crepúsculo de vaca?). Sem contar ainda que sou antisocial total e prefiro trocentas vezes escrever.
Contudo, nunca pensei que me tornaria um esquizofrenauta, doença grave à nós apresentada pelo século XXI, esse bosta. Escrevo, (quase) ninguém lê. Este solilóquio vinha até que bem, não me incomodava, convivíamos lindamente. Até que surgiu esta idéia cretina de fazer um sorteio para tentar alavancar os acessos ao blog em 200 em uma semana.
Uma pausa aqui: tive um post “popular”, quando escrevi sobre MSP 50, quando umas 100 pessoas leram (HAHAHAHAH, que super popular, campeão!).
Voltando. O objetivo ali não era conquistar um número medíocre de acessos, mas parar alguém para ler aquilo que escrevi, tentar sair do hospício. Afinal, mesmo consciente da minha falta de talento, sempre quis saber a opinião alheia. Pensei que com uma promoção (sorteio) eu conseguiria isso. Só saberia como participar quem lesse um post. Pra concorrer teria que comentar ao final do post. Duas pessoas fizeram isso. Umas 40 pessoas passaram por aqui devido aos RTs do Twitter, mas ninguém leu o post. Não creio que alguém seria tosco o suficiente de ler e não comentar pra concorrer ao DVD do Nosferatu. Ou seja, duas pessoas leram. Nem com promoção.
Ri o dia todo disso, de verdade. Mas no dia seguinte bateu uma deprê. Fiquei triste não por quase ninguém ter lido, mas por pensar por um momento que um sorteio mixuruca seria o suficiente para conseguir pessoas que lessem um conteúdo pouco interessante. Fiquei meio fulo também quando parei pra pensar que se eu fosse uns bostinhas semi-populares que tem por aí que só escrevem merda, seria considerado gênio com metade desse conteúdo que já é porco. Mas esse mesmo pensamento me fez gargalhar outra vez. E por isso resolvi me despedir.
Portanto, adeus, pretensão de receber algum tipo de reconhecimento ou “popularidade” pelos textos deste blog, que você seja feliz lá no Kibe Loco. Continuarei escrevendo para a minha própria diversão e tal. Um abraço.
Em tempo: ainda bem que não rolou o sorteio. O DVD era uma bosta, original com tipão de pirata. Fujam disso AQUI.
Pérolas do Archive.org – Vol. 01 – Nosferatu
Fala aí vocês três que lêem este blog. Um salve também pra vocês que chegam aqui via busca no Google atrás de MSP 50 (o 2º post desta joça). Quero compartilhar com vocês uma maravilha das internets, um site que – caso você já conheça, desculpe-me – busca ser uma espécie de cápsula do tempo (não sabe o que é isso? CLICA AQUI) dentro da web. Sabe aquele blog da sua adolescência que você apagou por ter se tornado fonte inesgotável de vergonha alheia? Então, você perdeu, pois o site Archive.org guarda tudo. Dá pra ver, por exemplo (e que exemplinho de merda) coisas do tipo a primeira cara do Orkut, em 2004.
E não é só isso! (Deu pra ouvir a voz do maluco da Polishop aí?)
Entre uma série de coisas interessantes, o site possui a sessão Moving Images, também conhecidos como Filmes. Ali, no meio de um labirinto, estão disponíveis para download milhares de filmes que se tornaram de domínio público, ou seja, podem ser baixados gratuita e legalmente na interweb (aquele abraço pra quem reclamou de pirataria no post anterior [risos]). Tem de tudo, P&B, Technicolor, Mudo, só falação, filme tosco e… Pérolas, muitas pérolas (no bom sentido).
Mas pra que eu quero ver filme velho, em preto e branco, mudo e sem o Edward lambendo a Bella, hein?!
Ora, meu querido(a), para aprender de onde vieram os filmes de vampiro, para dar apenas um exemplo. Se você é religioso(a), deve ler o velho testamento para, conhecendo os primórdios da religião, entender melhor o que ela é hoje, correto? Para entender bem o Brasil e o mundo atual, você não passou anos na escola aturando aquela velha gorda (se o Freddie Mercury Prateado pode, eu também posso) estudando o passado, o Pero Vaz, e a porra toda? Pra discutir com argentino você não teve que comprar uns DVDs do Pelé e do Maradona (caso você não tenha visto ao vivo)? Então. Pra entender como os vampiros ganharam purpurina e vontade de chupar outras coisas que não o sangue das vítimas, você precisa começar de algum lugar, de preferência do início, diz aí?!
Mas agora chega de gracejos e direto ao que interessa. E o que interessa aqui, afinal, é mostrar as pérolas do mundo do domínio público. E uma delas é o filme “Nosferatu” (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens – 1922), filme alemão considerado o primeiro longa sobre vampiros e também um dos primeiros longas bem feitos sobre qualquer coisa na história do cinema. Dirigido pelo gênio F.W. Murnau, o filme deveria ser sobra a obra de Bram Stocker (Drácula), mas a viúva deste não aceitou vender os direitos e o nosso querido amigo Friedrich Wilhelm junto com Henrik Galeen correram para criar um novo personagem (Nosferatu, ou Conde Graf Orlok) que faz as mesmas coisas e que viria a ser o mais aterrorizante vampiro da história.
Mas esse não era o Edward Cullen?
Ah, vai andar! Nosferatu tornou-se o que é até hoje muito por culpa de um cara que fez escola (que o diga Heath Ledger), o ator Max Schreck. Ele tinha por costume tornar-se o próprio personagem durante as gravações. Entre as lendas envolvendo este maluco, constam ataques noturnos à equipe de filmagem, beber sangue e outras bizarrices.
Tudo isso aí faz de “Nosferatu” uma referência até hoje (menos pra essa vaca da Stephenie Meyer [me processa]). Essa influência pode ser encontrada, por exemplo, na divertida HQ “Vampiro Americano”, de Scott Snyder, Rafael Albuquerque e Stephen King, que está sendo publicada aqui no Brasil pela Panini, na mensal “Vertigo”.
Para baixar o filme, acesse este LINK. Se gostar do filme e quiser conhecer um pouco mais, procure o filme “Nosferatu – O Vampiro da Noite” (Nosferatu: Phantom der Nacht – 1979), dirigido por Werner Herzog, que, aproveitando o fim dos copyrights sobre a obra de Bram Stoker, fez a história de Murnau usando os nomes de Stoker. Procure tambem por “A Sombra do Vampiro” (Shadow of the Vampire – 2000), onde Willem Dafoe encarna Max Schreck , explorando todas as lendas que cercam as gravações da fita de 1922.
Agradeço aos dois ou três aí que chegaram até aqui nesta leitura inútil, vocês são ‘fera’. E para agradecer a compreensão e carinho, caso vocês consigam que este post feche a semana com pelo menos 200 acessos únicos (como eu sou medíocre, essa vai ser fácil), todos que forem estar comentando utilizando um email válido vão estar concorrendo a um lindo DVD do filme e o vencedor vai estar recebendo em casa e vai poder estar assistindo no conforto do seu sofá. (É sério). Tudo isso graças ao meu parceiro aqui no Blog, o meu dinheiro.
Abs. Boa sorte.
Cinema fora da caixinha – Vol. 01 – Coréia do Sul – Parte 1 de 8
Tem muita gente por aí que resume cinema ao que sai em Hollywood, coisas do tipo “Crepúsculo”, etc. Coitados, não sabem que o mundo é cheio de coisas boas vindas dos lugares mais improváveis, como Romênia, Irã e Coréia do Sul, e é com este que vou começar uma série de posts trienais sobre o assunto.
A Coréia do Sul é um país simpático, estando para a vizinha Coréia do Norte como Yang está para Yin. Meu cunhado, que mora lá, diz que é um povo educado, correto e com uma simpatia que se destaca dos outros asiáticos, um lugar cheio de tecnologia e coisinhas interessantes. Mas eu só sei disso porque ele me disse via Skype. Os roteiristas coreanos levam muito a sério essa parada de não existem finais felizes. Nestes filmes, as coisas costumam sair muito errado, parecido como acontece na vida real, ‘né’ não?! As coisas costumam ser um pouco feias e precárias, pouca tecnologia e simpatia, apesar de serem escaladas algumas beldades… (procura no Google aí bro > Son Ye-Jin, Yeo Jin-Ha e Yeong-Hie Seo)
Pra você aproveitar as férias pra ganhar alguma cultura, selecionei os 24 filmes coreanos que já assisti – todos receberam a estrelinha dourada de ótimo na testa – para indicar aqui. Todos eles receberam prêmio em algum lugar (grande merda, isso não quer dizer nada) e é capaz de já terem passado na TV por aí (“OldBoy” saiu duas vezes na Band, se não me engano).
Falando em “OldBoy” (Oldeuboi – 2003), começarei com ele, um dos mais obrigatórios. Dirigido pelo doente mental Chan-Wook Park, o filme é baseado num mangá de muito sucesso vencedor do Eisner (Oscar dos quadrinhos) e pode receber uma adaptação (mas que bosta) hollywoodiana pelas mãos do Will Smith, não sei se este plano ainda existe, me corrijam. “OldBoy” também recebeu, dentre 17 prêmios, o Prêmio do Juri de 2004 em Cannes. Enfim, esse suspense/ação resume bem o que eu falei antes sobre a estética do cinema coreano, e paro por aqui pra não ‘espoilear’, este é o tipo de filme que uma vírgula pode estragar!
Nem só de tristeza vivem os cineastas coreanos. “My Sassy Girl” (Yeopgijeogin Geunyeo – 2001) é um romance que não foge da linha realista. Um cara senta ao lado de uma garota no metrô, todos pensam que são namorados, ele a protege de problemas e acabam se conhecendo. Ele posta tudo na internet, faz sucesso, vira livro e filme. Baseado nisso tudo aí, Jae-Young Kwak escreveu e dirigiu esse belo romance que toca por ser palpável, nada de água com açúcar, uma história real que pode acontecer com qualquer um (menos comigo, ‘né’ querida? Te amo!
). Adivinha? Hollywood já adaptou e ficou um lixo, com Elisha Cuthbert no papel principal [suspiros] (oi esposa querida, te amo!).
Pra terminar essa primeira parte dos filmes da Coréia do Sul, vou comentar um pouco sobre “O Caçador” (Chugyeogja – 2008), que assisti somente ontem e ainda está fresco na memória (minha esposa que o diga, acordou de madrugada pensando no filme, que a deixou totalmente impressionada). Mais um filme desgraçado d(e) bom, não posso comentar muito, já que é um suspense maldito de duas horas de tensão, com o talentosíssimo Jung-Woo Ha e a bela Yeong-Hie Seo (a do Google). Está em cartaz atualmente nos canais HBO.
Observações importantes: Não são filmes pra ver com crianças/velhos. Nem todos são facilmente encontrados, mas desonenstidade mesmo é não poder assistir. Quer baixar? Taca no Google DVDRIP + Título Original do Filme + DOWNLOAD. Pronto, seja feliz. Até outro dia com a parte 2 de 8 desta série linda. Um Abraço.
Projeto “Mauricio de Sousa por 50 Artistas”
Antes de entrar no assunto principal desse post, devo explicar o motivo deste Blog. Tudo começou em 29 de março de 2010, quando o editor da MSP, Sidney Gusman, postou no Twitter o primeiro preview do livro ”MSP+50″. Tratava-se de um Horácio estilizado pelo mestre Mozart Couto, vencedor do Prêmio Jabuti. Uma semana depois iniciou-se uma enxurrada de previews sensacionais e uma aula do Sidney de como utilizar um veículo gratuito para criar uma onda de expectativa gigantesca nos fãs do trabalho do Mauricio de Sousa. O bom velhinho (apesar da carinha de garoto, MS já está quase com seus bons 75 anos!) com certeza não será patrão de demitir funcionário twitteiro, já que a estratégia parece ter funcionado muito bem. O primeiro volume do projeto “MSP por 50 artistas” (foto ao lado) começou a desaparecer das prateleiras de algumas das melhores livrarias, muita gente que não conhecia o primeiro volume (talvez pelo preço de lançamento um pouco salgado) se interessou em adquirir o livro para se “preparar” para o segundo volume (foto a sudeste), incluindo este que vos escreve. Quem me seguia no Twitter lembra do parto que foi a compra deste livro. Digo ‘seguia’ porque muita gente deixou de fazê-lo após o meu ‘chororô’.
Para encurtar esta introdução, vamos direto ao ponto de criação do Blog: consegui comprar 0 primeiro volume, comprei o segundo
volume na Bienal do Livro de São Paulo no início de Agosto. Nesta ocasião tive a honra de conhecer o Sidney Gusman e receber a sugestão de fazer uma breve comparação entre os dois volumes via Twitter. Como ser breve não é uma qualidade minha e o assunto não me permite abreviações, criei esta página. “Mas e daí? O que diabos é ‘MSP50′ e ‘MSP+50′?”
18 de Julho de 1959. O jornal Folha da Manhã (futuramente chamado de Folha de São Paulo) publicava uma nova tira, mostrando as peripécias de um garoto de franjas e seu cachorro, Bidu. 50 anos depois, mais precisamente em Setembro de 2009 é lançado o livro “MSP 50: Mauricio de Sousa por 50 Artistas”. 50 artistas, dos mais consagrados pelo grande público, como Angeli, Laerte e Ziraldo, aos badalados quadrinistas Ivan Reis, Fábio Moon e Gabriel Bá, passando pelo mestre clássico Jô Oliveira e por “novos” talentos dos quadrinhos nacionais, como Gustavo Duarte, Rafael Sica e Vitor Cafaggi, para citar apenas alguns.
Eu já havia lido reuniões de artistas para homenagear um personagem pelo seu aniversário de criação, ou a um autor pelo aniversário de um de seus personagens, mas jamais havia visto este tipo de homenagem ao autor e todo o universo de sua obra. E essa empreitada foi um sucesso completo. Sucesso de crítica, de vendas, entre os fãs e, mais importante, uma homenagem incrível. É até difícil escrever sobre “MSP50″ sem parecer pelego.
Antes de ler, submeti a obra ao crivo exigente de duas crianças, de 10 e 11 anos. Elas não desgrudaram do livro até terminarem de devorá-lo, elegendo a última história a melhor delas, que conseguiu arrancar suspiros das duas meninas. Mas o livro todo é ótimo. A cada história vai aumentando a vontade de dar um abraço e parabéns para o Mauricio de Sousa, agradecendo pelo entretenimento de rara qualidade que nos tem dado geração após geração. E isso fica muito claro lendo o livro. É só olhar, pra dar um único exemplo, a história do baiano Antonio Cedraz, onde podemos notar uma semelhança de traços e de intensão. Esta influência possibilitou às crianças de hoje terem acesso ao ótimo trabalho de Cedraz com a “Turma do Xaxado”.
“MSP50″ é o tipo de livro que me faz sentir vontade de ter uma sala maior, com uma poltrona gigante, lareira acesa e uma máquina de cappuccino ali do lado, pois é assim que ele merece ser saboreado. Conhecer a arte maravilhosa de gente como Lelis, Orlandeli, Erica Awano e Samuel Casal, ver a turminha no traço do xodó dos DCnautas Ivan Reis e descobrir o talento da minha conterrânea Julia Bax, tudo isso paga, e bem, o valor do livro. É até injusto da minha parte destacar alguns individualmente, já que o álbum é todo muito bom. Mas ainda tem a última história, aquela que encantou minhas cunhadinhas, onde Vitor Cafaggi mostra a sua visão sobre o Chico Bento. Uma história linda, digna dos maiores prêmios de arte e roteiro. Esse desfecho faz o livro ficar baratinho. Sidney Gusman foi muito esperto ao fechá-lo com esta história. Ela causa vontade extrema de mais, muito mais.
Essa ansiedade, alimentada pelo Twitter do editor durou, para mim, 2 meses e meio. Pra quem comprou o livro quando do seu lançamento, foram 11 longos meses. Que sofrimento! A tortura psicológica via Twitter chegou ao auge com a postagem de um trecho da arte do Chico Bento (sempre ele!) por Tiago Hoisel (ao lado), em Junho deste ano. Outros previews vieram apenas para completar a crueldade. Em Agosto veio a Bienal do Livro de São Paulo, onde me aventurei para comprar o ”MSP+50″ e, talvez, receber uma dedicatória de Mauricio himself. Mas desisti após ter que pegar senhas para caminhar e para respirar no pavilhão do Anhembi. Mas valeu pela dedicatória do Gusman, pela diversão da minha filhota e, claro, pelas ótimas compras (outro dia volto a utilizar este Blog para falar sobre uma delas, “História em Quadrões”, também da MSP).
Comprado já estava, só faltava ler. Muito trabalho, chegar em casa tarde, prioridade da família. Tudo isso me manteve 3 semanas longe do “MSP+50: Mauricio de Sousa por mais 50 Artistas”. Antes de iniciar, li pela terceira vez o volume 1. É incrível como vai ficando melhor. Depois li uma primeira vez o “+50″. Não foi suficiente. Li outra vez, desta vez comparando com o “50″.
Capa por capa, considero a do primeiro ligeiramente mais bonita, devido, talvez, à maior semelhança do MS nesta, não desmerecendo a arte do Diogo Saito, que foi uma das melhores coisas dos 2 álbuns (um pouquinho dela ao lado). Outra coisa que me chamou a atenção. Das 46 histórias de “MSP50″, 8 foram sobre o coadjuvante (porém sensacional) Astronauta, apesar de as duas ’Astronautas’ de “+50″ serem histórias mais profundas e interessantes, fora a arte magnífica do Will, que desenha o espaço como poucos por aqui. Outro pequeno detalhe é o exagero (???) de histórias adaptando Alice no País das Maravilhas. Foram duas (Ok, não é tanto exagero assim, mas o livro não é “LC+50″). Fora estes detalhes, é impossível comparar os dois. Devo destacar aqui o trabalho impecável de revisão dos textos, que tem sido sofrível na maioria dos trabalhos nacionais.
10 de cada 10 críticas que li sobre “MSP+50″ elogiavam muito o livro, mesmo questionando sua originalidade. Não posso concordar com este pensamento. Não é por utilizar a mesma fórmula, que significa que faltou originalidade ao livro, afinal, cada virada de página é uma perspectiva totalmente nova, principalmente neste segundo livro, onde os autores pegaram mais o espírito da coisa, se desprenderam bem mais da arte original de MS e do tema “homenagem” (apenas uma história faz isso explicitamente). O resultado repete a dose do primeiro: sucesso de crítica, de vendas, entre os fãs e, não mais como homenagem aos 50 anos, um projeto de sucesso.
Entre o primeiro e o segundo lançamentos, os leitores de gibis no Brasil viram o mercado nacional dar um boom, encabeçado, por que não, por “MSP50″. Alguns dos destaques destes últimos meses, como Mateus Santolouco, Rafael Albuquerque, Eduardo Medeiros, Rafael Grampá, Mario Cau, Danilo Beyruth, Pablo Mayer e Rafa Coutinho juntaram-se aos (um pouco mais) velhos de guerra Roger Cruz, Gian Danton, Marcatti, Iotti, André Diniz, Srbek, Will, Allan Sieber, Lobo, Odyr e Caco Galhardo, entre outros artistas talentosíssimos que, repito, me tornam injusto ao citar alguns individualmente.
Esta maior liberdade de roteiro e arte escancara uma possibilidade tremenda para a Mauricio de Sousa Produções (Isso! MSP!). Sobra liberdade mas falta página. O Piteco de Beto Nicácio merece uma revista one-shot de 36 páginas. O Bugu de Roger Cruz, a obra franco-belga de Ricardo Manhães, idem. Sem falar no Mingau incrível do Kako. Danilo Beyruth merecia uma temporada inteira para explorar a turma do Penadinho. Fora muitos outros, como perfeitamente observou o Eduardo Nasi do Universo HQ.
Lógico que ainda gostaria de ver muitos álbuns de luxo com essa seleção brasileira dos quadrinhos, e creio que o Nasi do UHQ também. Creio que qualquer ser humano normal que leu os MSPs quer mais. Afinal, ainda temos inúmeras possibilidades. Temos talento de sobra, como o da dupla cearense Hemeterio e Olinto Gadelha, do também cearense Klévisson, do garoto fora de série João Montanaro, de Estevão Ribeiro, do roteirista Cadu Simões. Tem muita gente boa ainda pra mostrar nesta vitrine. Pelo menos, mais 50 visões. Fica ainda a ideia para um “MSP por 50 Artistas Estrangeiros”, com coisas novas e republicações de artes antigas, como a magnífica Mônica de Milo Manara, ao lado (ufa! um descanso para os olhos depois de um falatório tão cansativo!).
Enfim, se você teve paciência para ler este post até aqui, vai ler fácil fácil estes dois livros em uma tarde de domingo só, e não vai se arrepender. Apoie os quadrinhos nacionais, leia mais a respeito. Talvez daqui 50 anos não tenhamos mais o Mauricio de Sousa por aqui, mas seu legado estará presente, só dependendo do apoio e carinho que o leitor sempre deu ao trabalho da MSP. A “Turma do Xaxado”, que citei antes, é um exemplo disso. O número 4 do gibi foi para as bancas hoje. O número 5 só sai se o 4 vender bem, vamos prestigiar! Os próximos 50 anos só dependem de nós.
Alou, mundo!
Tentativa de blog nº 4. Será que saio do 1º post dessa vez?













